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ELEIÇÕES 2010 - CONTINUIDADE SEM CONTINUÍSMO

Por questões pessoais e necessidades profissionais estou a mais de três meses monitorando alguns assuntos nas redes sociais, entre estes, notícias sobre o processo eleitoral deste ano. Acredito que para entender ou até mesmo prever o futuro é necessário analisar profunda e criteriosamente o comportamento e as manifestações naturais das pessoas.

 

Nada tem haver com aquelas perguntas desnecessárias do tipo: “Em quem o Sr. (Sra.) irá votar nas próximas eleições?”

 

Há controvérsias, mas a campanha de 2010 já começou faz tempo e isso está de certa forma influenciando na percepção e na futura decisão de voto dos eleitores. Cada Estado do País tem seu ecossistema próprio e sua cultura particular, mas no âmbito nacional, posso dizer com toda a segurança que ganhará a eleição quem conseguir empacotar melhor o conceito “continuidade”.

 

Acompanhando comentários e manifestações de pessoas das mais diversas faixas de idades, classes econômicas, graus de instrução, regiões e preferências partidárias, fica nítido (nenhuma novidade) um sentimento nacional de aprovação com o governo atual do Presidente Lula. Mas isso nada tem haver com “gostar” do Presidente.

 

Isso também não significa que a preocupação com a segurança, com as enchentes, com o desemprego, com as taxas de juros, com as filas nos hospitais tenham desaparecido. A questão que ganhará a eleição não será racional, ou algo que se possa alterar opinião mostrando números, gráficos ou tabelas.

 

Não será a programática de governo, que a maioria dos simples eleitores não entende. Não será a ideologia partidária que os eleitores não querem entender. Também não será a simplista ideia (apesar de importante) do benefício das diversas “bolsas-ajuda” criadas, disseminadas e propagandeadas pela máquina atual de governo.

 

O fato é que ao longo dos últimos anos nos dividimos em três grandes grupos de eleitores. Dois principais: os que são a favor de Lula e os que são contra o Lula, que dificilmente (mas não impossível) mudarão seus votos até a eleição. E um terceiro grupo, que a cada dia fica menor, que são os indiferentes ou indecisos em relação ao governo ou ao carisma do Presidente.  

 

O ponto é que para todos existe uma percepção tácita generalizada de que as coisas não estão perfeitas, mas de que estamos no caminho certo. Que se nada atrapalhar, o futuro será melhor. A ponto de que se não houvesse eleição este ano, seria ideal.

 

Porém, como mundo perfeito não existe, todos nós seremos convocados a decidir por uma mudança não desejada. E ai é que está a grande oportunidade a ser trabalhada. Como vender e entregar o mesmo com pessoas e/ou partidos diferentes no poder. Dilma não será Lula. Serra não será Lula. Ciro não será Lula. Terceiro mandato não será o mesmo Lula.

 

Esta continuidade desejada não poderá se confundir com o significado semântico perceptivo em que “continuidade” seja a mesmice, o marasmo ou o “piloto automático”. Esta continuidade deve transmitir o ideal de junção dos elementos estruturais sociais e econômicos na formação de um todo resistente e em evolução.

 

Acredito que será a primeira eleição (na história deste País) em que vamos mudar, querendo mais do mesmo. E como Lula chegou neste ponto? Vendendo a promessa de fazer diferente, mas entregando a continuidade. Ele conseguiu a aprovação atual não fazendo o que falou que iria fazer, e sim fazendo (e evoluindo) o que já estava sendo feito. Não estragar o que o FHC (PSDB) fez em seus oito anos, foi o que Lula fez de melhor em seus dois mandatos. O resto foi como seus discursos. Muito improviso, sorte e simplicidade...

 

O candidato que conseguir “fugir das comparações” e “vender” melhor a possibilidade e capacidade de continuidade será o eleito em 2010.

 

 Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 14h49
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VIDA NOVA E ATOS FALHOS

Ok, 2010 já chegou! Um ano cheio de atrações e forças naturais de movimentação. Apesar de uma possível relação, não vou falar sobre as desgraças que insistem em acontecer nos primeiros dias do ano. Li várias revistas, estudei alguns livros e analisei muitos textos e comentários de especialistas sobre retrospectivas e projeções. Sinto-me com forças renovadas, e convencido que esse ano será especial.

A seleção do BBB10 já foi anunciada, e já consigo prever algumas capas da Playboy deste ano: Eliane, Fernanda e Tessália! Essa já começa chamando a atenção pelo nome. Em meados de 2008 quando me falaram do me falaram do twitter, eu me perguntei: Para que servirá isso na pratica? Descobri muitas utilidades. Agora sei que serve também para ser escolhido pelo Boninho. Viva as redes sociais. A eleição do rei e da rainha do carnaval 2010 já é coisa do passado. CDs e DVDs com os melhores sambas enredo já estão à venda. Analistas econômicos já estão projetando como será o comportamento da Bovespa neste ano e com dicas quentes: Bancos, Açúcar e Álcool, Mineração, Concessão Rodoviária e Cervejas são setores da economia brasileira que deverão crescer acima da média. Cervejas? Sim... Estudiosos econômicos garantem que Copa do Mundo e consumo de cerveja estão intimamente ligados, mesmo no inverno. Logo depois chegará a tão sonhada campanha eleitoral. A eleição em prováveis dois turnos, com o ano chegando ao fim. E lá estarei eu lendo, estudando e analisando as projeções para 2011 e fazendo as retrospectivas de 2010. Afinal temos que nos preparar para nossa Copa em 2014 e nossa Olimpíada em 2016...

A vida pode até ser nova, mas muitas coisas são as mesmas. Precisamos nos renovar e ao mesmo tempo, necessitamos revisitar os mesmos fatos, vencer as mesmas batalhas, torcer pelo mesmo time, conviver com as mesmas pessoas, pagar as mesmas contas...

Chego a acreditar que quando falamos e acreditamos em “vida nova”, isso não é só força de expressão. É ato falho. Desejamos sempre ter uma vida diferente, perfeita e sem sofrimentos como se isso fosse viável. Queremos grandes acontecimentos. Fatos marcantes e impactantes. Isso quando acontece tem outro nome: Tragédia!

Observando a realidade, percebo que o novo é sutil. Quase invisível. A vida não é nova, ela é cíclica e espiral. Passamos pelo mesmo ponto, mas em um nível diferente. Nossa vida é uma só. A passagem de um ano a outro é como uma noite bem dormida. Acordamos com energias renovadas.

Por isso acredito que as batalhas perdidas serão vencidas, o meu time será campeão, amo as pessoas com quem convivo e adoro compartilhar com elas o nosso amadurecimento... Quanto às contas, essas realmente não as mesmas. Elas são sempre novas e maiores!  

Para fundamentar e ilustrar meu pensamento, a definição de Sigmund Freud: Segundo ele os atos falhos são ações inconscientes que estão em nosso cotidiano. São coisas que dizemos ou fazemos, que deveríamos reprimir. Por exemplo: certo dia, um bispo foi visitar a família de um pastor, que era pai de umas meninas adoráveis e muito comportadas. Este bispo tinha o nariz enorme. O pastor pediu às suas filhas para que não comentassem sobre o nariz do bispo, pois geralmente as crianças começam a rir quando notam este tipo de coisa, já que o mecanismo de censura delas não está totalmente formado. Quando o bispo chegou, as meninas se esforçaram ao máximo para não rirem ou fazerem qualquer comentário a respeito do notável nariz, mas quando a irmã menor foi servir o café, disse:

 - O senhor aceita um pouco de açúcar no nariz?

Este é um exemplo de um ato falho, proveniente de uma reprimida vontade ou desejo. O meu é desejar a todos “vida nova” e feliz 2010.

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 05h42
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DESCOBERTAS, SIGNIFICADOS E MEDICINA DIAGNÓSTICA

Hoje assisti o último capítulo do quinto ano do seriado House. Realmente sou apaixonado por esses seriados. Em especial pelo House. Coincidentemente, a revista VEJA desta semana tem como matéria de capa, as oportunidades das carreiras nos próximos anos. Medicina continua sendo a profissão mais procurada com 159.428 inscrições nos vestibulares das universidades federais incluindo a Universidade de São Paulo.

Incrível que depois de um período em decadência devido à evolução tecnológica, onde os exames de análises clínicas e de imagens computadorizadas, como tomografias e ressonâncias, estava transformando os médicos em meros “tiradores” e “interpretadores” de resultados, a medicina diagnóstica voltou a crescer e ganhar importância nos últimos anos. Coincidência? Lógico que não.

Descobri recentemente que Gregory House, o personagem principal da série, criado por David Shore, foi inspirado no famoso detetive Sherlock Holmes, escrito por Sir Arthur Conan Doyle (que trabalhou como cirurgião e se destacou pela coragem e determinação na prestação de socorro na época da guerra dos boers). Desde então fiz uma retrospectiva juntando algumas informações. Dizem que em uma entrevista, David Shore ao ser perguntado qual a inspiração que o levou a criar House, não negou o personagem de Sir Doyle.

Sempre me perguntei por que “Dr. House”? O sobrenome de Gregory é uma brincadeira com o sobrenome de Sherlock, House quer dizer “casa”, Holmes sem a letra “l” e “s” fica Home que quer dizer “lar”. Tanto House quanto Holmes são experts que trabalham em casos que são difíceis para os outros profissionais. Ambos têm notável poder de observação e dedução, uma tendência para montar rápidas conclusões depois de uma breve análise das circunstâncias.

Os dois personagens compartilham uma personalidade rústica e uma maneira brusca de agir, são arrogantes e cultivam o sarcasmo, possuindo fortes convicções, das quais dificilmente declinam durante o desenrolar dos fatos.

Holmes investigava crimes estranhos e solucionava os casos quando a polícia não conseguia, House investiga doenças inexplicáveis que outros médicos não capazes de solucionar. Os dois são preguiçosos e só pegam casos quando vêem algo que lhes intriguem. Não demonstram seus sentimentos, preferindo o lado racional de ser. Não se deixam envolver emocionalmente com o caso. House muitas vezes reclama de seus subordinados por desenvolverem um relacionamento afetivo com o paciente, interferindo negativamente na elucidação do caso.

Dr. Watson, parceiro de Holmes sofreu um ferimento na perna, Gregory House sofreu um infarto na perna. Relata-se que Holmes quando não estava envolvido em nenhum caso usava cocaína para aliviar o desânimo e House usa um analgésico chamado “Vicodin” para amenizar a dor na sua perna.

Os dois têm apenas um único real amigo Dr. Watson para Holmes e Dr. Wilson para House, e são os amigos que conectam esses gênios com a ignorância humana, sem Watson e Wilson tanto Sherlock Holmes quanto Gregory House não teriam tanto sucesso em suas deduções.

Sherlock é sem dúvida o mestre da observação e dedução, e seus casos geralmente são resolvidos por detalhes ínfimos, na série acontece o mesmo, House observa pequenos sinais que ninguém se atentou e acerta nos diagnósticos.

Holmes era capaz de deduzir os hábitos de uma pessoa somente olhando para ela, House é capaz de diagnosticar uma pessoa fazendo o mesmo. Os dois não medem esforços para resolverem um caso, até mesmo arriscar a própria vida.

Lógico que não conclui tudo isso sozinho. Bastou uma simples referência no Google com os dois nomes (House e Holmes) e obtive quase 60.000 resultados. O mundo moderno é assim. Quando achamos que descobrimos alguma coisa e começamos a procurar, encontramos muitas evidências que nos mostram que tudo já estava lá. Parece que só eu é que não sabia.

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 21h28
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EUDAIMONIA, OLBOS E A TECNOLOGIA

Apesar de toda a evolução tecnológica e revolução comportamental, fazendo com que nossa sensação de domínio sobre o tempo esteja totalmente desvirtuada, nunca foi tão fácil se divertir. Nós últimos tempos, o entretenimento se tornou onipresente.

 

Os recursos de diversão estão nos locais mais sisudos e estranhos do mundo, pronto para escapulir. O maior exemplo disso é o celular: permite que você jogue games, ouça música, assista filmes, paquere por SMS durante uma reunião ou na sala de espera do dentista, ou mesmo “tuitar” logo após o sexo.

 

A cena de um escriturário preguiçoso jogando paciência no computador já virou clichê. O recém lançado (no mercado brasileiro) kindle armazenará livros, jornais e revistas. Tudo parece contribuir para que a gente não trabalhe...

 

Paralelamente, drogas como ritalina, modafinil e ampaquinas, estão disponíveis para nos deixar “ligadão”. Ficar conectado menos de 12 horas por dia parece impossível. Assistir novela com notebook no colo está se tornando natural. Estudos dizem que a geração dos meus pais conseguia “processar” 1,7 atividades simultaneamente.  Os mesmos pesquisadores garantem que hoje uma criança de 5 anos consegue “processar” 3,5 atividades ao mesmo tempo.

 

Nenhum homem é uma ilha, já dizia o poeta John Donne no século XVII, e muito menos vive sozinho numa. As redes sociais na internet são provas desta verdade inconteste. Tempos atrás ouvi que os alunos do fundão estão contratando os CDFs da frente. Neste mundo maluco em que estamos entrando, as fofocas das redes sociais virtuais são mais importantes do que os discursos oficiais dos diretores das grandes empresas.

 

Podem falar o que quiserem: que o mundo está mais violento, mais complicado... Mas a verdade é que ele também está mais divertido e a felicidade física, virtual ou química está mais disponível que nunca.

 

Neste ponto entra a questão do título deste “post”: a felicidade. Afinal o que é isso? No grego antigo há uma grande variedade de palavras que podem ser mais ou menos relacionadas ao antigo conceito de felicidade. Palavras como “feliz”, “abençoado”, “próspero/prosperidade.”

 

A palavra principal, porém, para a felicidade em grego antigo é eudaimonia e “eudaimon” é o adjetivo para “feliz”. O significado original destas palavras nos diz muito sobre a maneira como a felicidade era concebida. De acordo com sua etimologia eudaimonia significa “que tem um poder divino (daimon) bem disposto (eu)”.

 

No pensamento grego antigo a felicidade é uma condição concedida “por favor” divino, e é feliz aquele que desfruta do favor dos daimones, isto é, daqueles poderes divinos que poderiam ser hostís. A manifestação visível e tangível de ser favorecido pelos “poderes divinos”, isto é, de ser livre da “má vontade divina”, é o que é comumente chamado de “prosperidade”, em termos tanto da riqueza material como do sucesso. A palavra do grego antigo denotando este aspecto de ser feliz é olbos, que significa exatamente “prosperidade dada pelos deuses”. Assim, olbos é “próspero, abençoado.”

 

O Deus cibernético está nas telas touch screen dos nossos celulares. A voz do povo, que também é a de Deus, está nas redes sociais. A nanotecnologia está ai para nos mostrar que ele (Deus) está nas pequenas coisas... Abençoado, próspero e feliz seja o nosso futuro!

 

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 16h12
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O EXÉRCITO DOS FONES DE OUVIDO

Ouvi em recente palestra sobre inovação, do Walter Longo, uma questão sobre a evolução da tecnologia (internet, telefonia celular, banda larga, etc.) e das redes sociais (twitter, orkut, msn, blogs, etc.), que está proporcionando a nova geração um aprofundamento e exclusivismo, que pode ser perigoso e vale uma reflexão.

Lembro-me dos comentários de meus pais e avós, que a reunião em torno da TV iria destruir a família, pois não aconteciam mais diálogos e conversar entre as pessoas. Todos ficavam juntos apenas para ver e ouvir a programação televisiva. Viveríamos a vida dos personagens das novelas e não as nossas...

Teses de que a TV iria acabar com o rádio, com o cinema, etc. Que não poderia estudar com a televisão ligada. O mesmo conceito que ouvi do meu pai quando usei pela primeira vez uma calculadora, e ele disse deveria evitar, pois esqueceria a tabuada, e não conseguiria fazer contas “de cabeça”. Nada disso aconteceu.

A questão levantada agora está na possibilidade de termos cada vez mais do mesmo. Chegamos a uma disponibilidade de informação, e possibilidades de acesso, que podemos passar todos os dias das nossas vidas, ouvindo, lendo, assistindo, falando e escrevendo apenas os temas que gostamos. Não somos mais obrigados a ter experiências com o tradicional, com o clássico, com o velho que para alguns poderia ser o novo...

Antigamente os filhos gostavam de música clássica muitas vezes porque os pais “obrigavam” a ouvir. Com o tempo adquiriam o prazer por esse estilo de música. Eu mesmo aprendi a ler jornal (grande, sujo, monocromático e desajeitado), por insistência e vendo o tempo e a importância deste hábito na vida profissional do meu pai. E tantas outras coisas que os mais velhos ensinavam aos mais novos...

Hoje em dia isso não acontece mais. Pelo menos em um grande número de casas e famílias, de onde sairão os jovens com maiores oportunidades de sucesso, e que estão transformando o nosso mundo. Em todos os quartos dos nossos filhos existem, computadores, TVs, celulares, i-pods, e os universais fones de ouvido. Cada um no seu mundo. E mesmo quando estamos juntos, é normal a cena em que estamos assistindo a TV e todos nós estamos com nossos notebooks no colo. Fisicamente todos juntos. Mentalmente cada um no seu universo.

Seguindo a linha da neuroplasticidade, a neurocientista Susan Greenfield da Universidade de Oxford, afirma que estamos desenvolvendo um cérebro atrofiado. A tecnologia e as redes sociais estão infantilizando adultos e crianças. Basta ver como muitos se comunicam nos msn, orkut e twitter. Cheios de risadas e carinhas, como se tudo fosse criativo e engraçado...

Segundo Susan, temos cérebros maleáveis desenvolvendo e utilizando conexões cerebrais todos os dias, e somos extremamente afetados pelo ambiente em que vivemos. O que nos fez sair das árvores, foi à capacidade de usarmos e desenvolvermos o córtex pré-frontal. Viver em um mundo em que a empatia, a narrativa e o significado são menos importantes, está mudando a forma que nós humanos pensamos.

Temos acesso imediato a quaisquer tipos de informações, sem a necessidade de uma estrutura conceitual que os ligue. Os dados não se tornam “conhecimentos” e “experienciais”. Vivemos a era da informação. Queremos quantidade e velocidade. Mas estamos esquecendo que precisamos de tempo para ligar os fatos e interpretá-los. O cérebro humano não é uma máquina de filtrar, mas, sim um processador que usa as informações que nos cercam para entender o mundo.

Estamos diante de mais um paradoxo do nosso tempo: Se cada vez mais podemos escolher o que gostamos (pessoas, músicas, filmes, informações, etc.) e consequentemente, por limitação do tempo, passamos cada vez menos conhecendo a diversidade, de que adianta tanta tecnologia e liberdade de opção?

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 09h30
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NEUROPLASTICIDADE E O MARKETING

Sabemos que o cérebro humano está constantemente sofrendo alterações e este é um dos motivos que dificulta o entendimento de seus mecanismos. Também sabemos que é papel do profissional do marketing tentar descobrir o que passa pela mente das pessoas e desenvolver produtos adequados, atendendo suas necessidades e seus anseios. Mas não basta descobrir, o marketing também é responsável pela estratégia e pelo processo de comunicação.  

 

Nos últimos anos o desenvolvimento tecnológico proporcionou melhores condições de mapear o cérebro de pessoas vivas e em atividade, e muitos conhecimentos sobre a mente humana, que eram inalcançáveis, passaram para o domínio público.

 

Com o avanço dos estudos sobre a mente humana surgiu a ciência da cognição, que pode ser entendida como o estudo sistematizado do intelecto, do ato ou do processo de conhecer humano. Cognição é uma palavra originária do latim “cognotione” cujo significado é aquisição do conhecimento e está ligada à atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento e linguagem.

 

Por definição a neuroplasticidade é qualquer modificação do sistema nervoso que não seja periódica e que tenha duração maior que poucos segundos. Ou ainda a capacidade de adaptação dos neurônios, às mudanças nas condições do ambiente que ocorrem no dia-a-dia da vida dos indivíduos, um conceito amplo que se estende desde a resposta a lesões traumáticas destrutivas até as sutis alterações resultantes dos processos de aprendizagem e memória.

 

Mais importante do que mapear através de imagens áreas do cérebro estimuladas (as chamadas ferramentas do neuromarketing), quando surge um desejo por um produto ou pelo impacto de uma marca, está em compreender que o uma nova imagem poderá se formar em poucos minutos. Basta uma informação conflitante ou uma experiência desagradável que os julgamentos racionais e as emoções alterarão as rotas e as conexões.

 

Essas conexões são responsáveis por tudo o que somos. Pela nossa personalidade, pelo nosso modo de agir, pela forma que nosso corpo vai adquirindo no transcorrer da vida. Em linhas gerais, o processo se resume no seguinte: Uma vez estimulados, os neurônios geram impulsos de natureza elétrica e liberam íons e substâncias químicas que lançadas nas sinapses (espaços vazios entre um neurônio e outro) estabelecem ligações entre eles.

 

A cada novo estímulo, a rede de neurônios se recompõe e reorganiza, o que possibilita uma diversidade enorme de percepções, análises, julgamentos e respostas. A plasticidade neuronal é o nome dado a capacidade que os neurônios têm de formar novas conexões a cada momento.

 

Graças a esse poder é que, por exemplo, crianças que sofreram acidentes, às vezes gravíssimos, com perda de massa encefálica, déficits motores, visuais, de fala e audição, vão se recuperando gradativamente e podem chegar à idade adulta sem sequelas, iguais às crianças que nenhum dano sofreram.

 

E graças a isso também que empresas, marcas e produtos podem regenerar, reposicionar e reconquistar um espaço perdido ou ainda não ocupado. Porém nem tudo são flores. Essa capacidade exige um constante empenho em manter as pessoas interessadas e desejosas de seus produtos e serviços, pois o campo de batalha é igual para todos: a mente das pessoas.

 

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 08h55
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INSTINTO, INTUIÇÃO E INTELIGÊNCIA

Uma das grandes reflexões da atualidade é identificar se somos mais afetados pelos nossos estímulos neurológicos ou pela força adaptativa do ambiente que vivemos. Como profissional de marketing e profundo apaixonado pelo efeito da comunicação no comportamento das pessoas, sempre me vejo analisando o cenário em que atuamos.

Muitos cientistas já determinaram, e mesmo qualquer pessoa comum sabe que os seres vivos se modificam ao longo do tempo num processo conhecido como evolução. Para nós seres humanos, essas alterações ocorridas de forma gradual e aleatória, por meio das mutações individuais com efeitos coletivos, só se tornaram duradouras para a espécie, pois representaram vantagens adaptativas ou, pelo menos, não se constituíram em desvantagem.

Durante séculos essas modificações aumentaram as opções frente às demandas do meio ambiente, e do convívio social, garantindo nossa sobrevivência. Os resultados dessas transformações em diversos níveis resultaram no que chamamos hoje de instintos, intuição e inteligência. Nada muito diferente da atribuição do neurocientista Paul Maclean, no chamado cérebro trino, segundo o qual a nossa mente teria passado por três estágios evolutivos: reptiliano, o sistema límbico e o córtex.

O ponto que chamo a atenção, é que no caótico mundo que vivemos, desde a pré-história até os dias de hoje, usamos esses mecanismos de forma conjunta, interligada e interdependente. Apesar de nos “auto intitularmos” seres inteligentes, é muito difícil, senão impossível identificar a prevalência ou exclusão de uma dessas forças.

O desequilíbrio de um desses mecanismos nos faz parecermos animais, insensíveis e irracionais. Porém esse desequilíbrio também pode nos diferenciar positivamente. O sucesso muitas vezes inexplicável está em uma grande capacidade nas respostas corporais, em uma alta sensibilidade ou no raciocínio extremo.

A grande questão é como manifestamos esses mecanismos nos processos de tomada de decisão. Consciente ou inconscientemente escolhemos como agir não por discriminar os estímulos que recebemos, mas sim quando integramos esses estímulos aos nossos valores, estado emocional, situação social e quaisquer metas correntes.

A tomada de decisão não pode tipicamente ser vista como um simples processo racional e cognitivo. Acredito que compreender esses três mecanismos e suas relações, abre uma nova área multidisciplinar do comportamento humano, envolvendo a psicologia, a economia comportamental e a neurociência moderna. Ou seja, o mundo das necessidades, dos desejos e dos julgamentos.

Não podemos negar nossas limitações e deficiências. O instinto humano é muitas vezes egoísta, pervertido e vingativo.  A nossa intuição é mal adaptada a situações que envolvem incerteza. A nossa inteligência limitada a diversos padrões preconcebidos. Porém a beleza da nossa espécie está no potencial de evolução, na capacidade de adaptação e na força da transformação.

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 11h34
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A ALEATORIEDADE E NOSSO CÉREBRO

Como seres humanos, procuramos consciente e inconscientemente colocar as coisas em ordem. Tudo tem que ter nexo para nos sentirmos bem. O fato de não entendermos algo nos deixa extremamente incomodados. Quando isso acontece gastamos energia (pensando, filosofando, rezando, etc.) para compreender e acalmar nossa alma. Se não conseguimos, colocamos estas “coisas” em uma área (caixa preta) do cérebro destinado a “Deus” ou ao “Destino”.

O fato é que uma parte de nós deseja um mundo previsível, lógico, simples e sem grandes surpresas. Esta parte está preocupada em manter as coisas como elas são e como elas estão, e economizar energia (lei dos menores números). Criamos hábitos, costumes e tradições para isso. Mas existe outro lado eternamente insatisfeito que quer inovações, mudanças, adrenalina e fortes emoções. Este é o lado “jovem e adolescente” do nosso cérebro que não se preocupa com os riscos.

A verdade é que o mundo dentro e fora de nossas mentes é um caos. Temos dificuldades em nos concentrar, não conseguimos definir o que pensamos, o que queremos ou o que sonhamos. Tudo é regido pela teoria da aleatoriedade. Essa palavra é comumente utilizada para exprimir a quebra de ordem, de propósito, de causa, ou previsibilidade em uma terminologia não científica. Um processo aleatório é o processo repetitivo cujo resultado não descreve um padrão determinístico, mas pode seguir uma distribuição de probabilidade.

De acordo com diversas interpretações da mecânica quântica, fenômenos microscópicos são aleatórios. De acordo com a teoria da relatividade, fenômenos mega macroscópicos também são aleatórios. Não estamos preparados para o mundo das “coisas” muito pequenas e também não estamos preparados para as “coisas” muito grande.  Segundo o físico Leonard Mlodinow nossa vida também é regida por fenômenos aleatórios. Mas então, porque é que temos essa necessidade de ordenar as coisas?

Vivemos constantemente comparando o que está acontecendo, com o que já aconteceu, e assim imaginando o que irá acontecer. Administramos o tempo comparando o presente, com o passado e assim tentando imaginar e prever o futuro. Tudo isso consumindo energia, procurando encontrar as respostas. Consumindo muito mais energia que a da TRM (Taxa Metabólica de Repouso descrita no “post” de 14/08).  Como diz um amigo: “desejamos a vida eterna, mas não sabemos o que fazer no final de semana”.

Na verdade o que devemos que fazer é tentar avaliar o percentual de risco que estamos correndo nas análises das opções e nas decisões que fazemos, seja na simples escolha da marca do próximo refrigerante ou na mulher que tomamos como esposa para ser a mãe de nossos filhos. Tudo isso visando uma pseudo tranquilidade, em um mundo que só existe no nosso cérebro.  

A grande questão da vida, é a luta constante em determinar o certo e o errado, em prever o futuro, em imaginar os cenários paralelos de nossas alternativas não vividas... Como se tudo isso fosse possível.

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 16h30
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EXTELIGÊNCIA – UMA HERANÇA GENÉTICA

Para muitos, não sei se de forma absoluta, INTELIGÊNCIA significa o entendimento, o conhecimento de um ser, a faculdade de aprender, um conjunto de funções psíquicas e psicofisiológicas que contribuem para a compreensão da natureza das coisas e do significado dos fatos, a capacidade de organizar os dados de uma situação, em circunstâncias para as quais de nada servem o instinto, a aprendizagem e o hábito, a capacidade de resolver problemas e empenhar-se em processos de pensamento abstrato, a percepção clara e fácil, a habilidade em tirar partido das circunstâncias, a engenhosidade e eficácia no exercício de uma atividade, a sagacidade, a perspicácia.

Por princípio, tenho resistência a neologismos. Recentemente, em uma palestra de inovação proferida pelo Walter Longo, ouvi o termo “EXTELIGÊNCIA”. Após pesquisar, tive que me curvar e aceitar esse novo termo. Mais do que a simples troca do “IN” (interno) pelo “EX” (externo) a “EXTELIGÊNCIA” é a verdadeira razão do ser humano de evoluir ao longo do tempo. A capacidade de passarmos nossos conhecimentos e aprendizados aos nossos filhos. Um tipo de herança genética.

Esse termo foi inventado por Ian Stewart (matemático) e Jack Cohen (biólogo) em 1997 no livro chamado “Figments of Reality: The Evolution of the Curious Mind” (algo como “Invenção da Realidade: A Evolução Estranha da Mente”). Apesar das disciplinas individuais diferentes, ambos concordam que existe uma composição direta entre a complexidade e a simplicidade. Esta relação de cumplicidade é o mesmo elo que une a “INTELIGÊNCIA” e a “EXTELIGÊNCIA” como processo fundamental para o desenvolvimento da consciência, tanto em termos evolutivos para a espécie, como também para o indivíduo.

Cohen e Stewart criaram essa palavra para expressar a estreita relação e interdependência entre o conhecimento que está “dentro” da mente de uma pessoa com o conhecimento “fora” da sua mente e que pode ser facilmente acessado. A “EXTELIGÊNCIA” é a contribuição do modo como um indivíduo combinada e soma os conhecimentos de outras pessoas.

Partindo da complexidade da matemática e da teoria dos jogos, Stewart e Cohen utilizam a idéia na relação entre o tempo e o espaço da raça humana, em tudo o que possa ser conhecido e representado. É como um dicionário que pode conter definições de milhares de palavras, mas não apenas as definições que são compreendidas é que podem interpretar símbolos verbais e relacioná-los aos conceitos que estão em nossas mentes.

Em outras palavras, seria como dizer que meus filhos já nasceram com alguns conhecimentos ao qual eu não tive, e ao mesmo tempo, dizer que eu nasci com conhecimentos que meu pai não tinha. Por outro lado seria como afirmar que um cachorro adestrado não passará os conhecimentos do adestramento para sua cria, e muito menos recebeu conhecimentos do adestramento recebido pelo seu “pai cão”.

É a “EXTELIGÊNCIA” que torna os seres humanos diferentes dos outros animais.

Molnar

 



- Postado por: Marcelo Molnar às 11h20
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NEUROMARKETING - MINHA CONTRIBUIÇÃO PARA O MUNDO

Confesso que quando ouvi pela primeira o termo Wikipédia como sendo uma enciclopédia aberta e colaborativa, onde as pessoas comuns iriam colocar as definições sobre palavras termos e conhecimento em geral, eu duvidei de como isso poderia funcionar.

Há alguns anos venho estudando, lendo e escrevendo sobre “Neuromarketing”. Recentemente inclusive colaborei para um texto publicado na revista “Super Interessante” (edição 268 de agosto de 2009 – págs. 60, 61, 62 e 63) em entrevista para a Elisangela Roxo, indicado pelo meu amigo Zé Luiz Tavares (co-auto do livro “Marketing na Era do Nexo, Os Novos Caminhos num Mundo De Múltiplas Opções” junto com Walter Longo).

Por ser um assunto novo e polêmico, comentado em diversos artigos e em diversas revistas, por curiosidade acessei neste final de semana, o termo “Neuromarketing” no Wikipédia  para ver o que dizia. Minha surpresa foi encontrar apenas quatro linhas.

Movido por um impulso colaborativo, escrevi um texto mais explicativo, que mesmo longe de abordar o tema de forma ampla ou completa, acredito ser um pouco mais explicativo.

Segue abaixo o texto “publicado” hoje. Deverei nos próximos dias incrementar este conteúdo, mas me sinto satisfeito por minha contribuição:

Neuromarketing é um campo novo do marketing que os estuda a essência do comportamento do consumidor. É a união do marketing com a ciência e considerado uma chave para o entendimento da lógica de consumo, que visa entender os desejos, impulsos e motivações das pessoas. Pesquisadores utilizam tecnologias de Imagem por Ressonância Magnética funcional (IRMf) para medir a quantidade de sangue oxigenado no cérebro visando identificar com precisão as variações das suas atividades. Portanto quanto mais uma determinada região do cérebro estiver trabalhando, maior será o consumo de combustível (principalmente oxigênio e glicose) e fluxo de sangue oxigenado para aquela região.

O IRMf é uma versão avançada do eletroencefalograma chamada  TEE, abreviatura de Topografia de Estado Estável, que rastreia ondas cerebrais rápidas em tempo real.

O termo “Neuromarketing” ficou cunhado por Ale Smidts, um professor de Marketing na Erasmus University em Roterdã, Holanda. Porém foi Gerald Zaltman, médico e pesquisador da universidade norte-americana de Harvard, que teve a idéia de usar aparelhos de ressonância magnética para fins de Marketing, e não estudos médicos. Posteriormente com a divulgação de uma pesquisa científica no jornal acadêmico Neuron, da Baylor College of Medicine, em Houston, Texas, um estudo que consistia na experimentação dos refrigerantes Pepsi e Coca-Cola, ganhou repercussão. Os experimentadores envolvidos não sabiam qual era a marca a bebida que tomaram, e comprovou-se que as declarações verbais de preferência, identificação e respostas cerebrais não eram compatíveis. 

Quando perguntados qual dos dois refrigerantes era melhor, metade respondeu Pepsi. Nesse caso, a ressonância detectou um estímulo na área do cérebro relacionada a recompensas. Já quando elas tinham conhecimento sobre a marca, esse número caiu para 25%, e áreas relativas ao poder cognitivo e à memória agora estavam sendo usadas. Isso indica que os consumidores estavam pensando na marca, em suas lembranças e impressões sobre ela. O resultado leva a crer que a preferência estava relacionada com a identificação da marca e não com o sabor.

Dentre várias hipóteses, hoje os analistas de marketing esperam usar o neuromarketing para melhorar as métricas de preferência do consumidor, pois como vemos a simples resposta verbal dada à pergunta: "Você gostou deste produto?" pode nem sempre ser verdadeira devido a um viés cognitivo. Este conhecimento vai ajudar a criar produtos de marketing e serviços concebidos de forma mais eficaz e campanhas de comunicação, mais centradas nas respostas do cérebro.

O neuromarketing irá dizer às empresas como o consumidor reage, em relação à cor da embalagem, ao som da caixa quando abaladas, ao cheiro de determinados produtos entre tantas outras questões.

Um dos primeiros livros que abordou o assunto foi o “Neuromarketing - O Genoma do Marketing, O Genoma das Vendas, O Genoma do Pensamento”, publicado em 2007 pelo escritor brasileiro Alex Born.

Mais recentemente a obra “A Lógica do Consumo – Verdades e Mentiras sobre por que Compramos”, publicado em 2009, versão brasileira do livro “Buyology” de Martin Lindstrom, auto intitula-se como a maior pesquisa sobre Neuromarketing já realizada até o momento.

Obs. Aqueles que não concordarem com as definições e quiserem discutir a respeito, serão muito bem vindos.

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 11h48
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O CÉREBRO HUMANO E AS PATAS DO ELEFANTE

Henry Ford disse uma vez o seguinte: “Pensar é o esforço mais árduo que existe. Provavelmente esse seja o motivo por que tão poucas pessoas se dão o trabalho de pensar”.

 

A frase a princípio parece sem sentido, sem nexo, mas estudando um pouco, descobri que existe um parâmetro biológico denominado TMR, ou seja, Taxa Metabólica de Repouso que é a quantidade de energia que o corpo necessita apenas para permanecer vivo. Em repouso o cérebro consome 20% do oxigênio que respiramos e das calorias que queimamos.

 

Afirmar se os grandes mestres de xadrez perdem entre 3 a 4,5 quilogramas em líquido durante uma partida de duas horas! Dá para acreditar?

 

Porém, achamos que pensamos o tempo todo. Pensamos enquanto falamos, enquanto trabalhamos, enquanto dirigimos, etc. Mas assim como o restante do corpo, o cérebro usa uma variedade de estratégias e truques para minimizar a quantidade de energia de que necessita. Na prática, na maior parte do tempo, o cérebro se ocupa com apenas uma entre três atividades: ou fica disperso, ou reage ou segue antigos padrões.

 

A distração é a estratégia de esquiva e fuga mais comum do ato de pensar. Todos concordaram que é extremamente difícil se concentrar em um raciocínio e chegar a uma conclusão. Para algumas coisas temos uma facilidade incrível de mudar de idéia, mas para outras parece que é impossível. Parece que nossa mente tem vontade própria. A distração é o pensamento não concentrado, disperso e na maioria das vezes inútil. Neste primeiro caso, é a mente que nos controla, e não nós que a controlamos.

 

Na segunda situação, temos o que é chamado de reação instintiva, que é controlada principalmente pelo sistema límbico. Reagimos emocionalmente sem consciência do que fazemos e muitas vezes descobrimos que não sabemos o porquê fizemos. Mesmo quando pensamos, processamos as informações de forma a explicar nossas atitudes, sem saber profundamente o que as motivou. Nosso corpo responde a uma produção incontrolável de reações químicas e elétricas sem a nossa percepção. O que sabemos é que essas reações orgânicas são responsáveis pela maioria das nossas decisões.

 

A terceira estratégia de economia de energia do cérebro é a padronização. A maior parte dos circuitos neurais dedica-se a reconhecer, armazenas e recuperar padrões. Somos bem mais habilidosos para seguir padrões antigos do que para conceber novos pensamentos. Ao se deparar com uma nova idéia, nosso cérebro resiste, pois a interpreta inicialmente como uma ameaça. Tudo isso graças à necessidade que tempos de tentar prever o futuro, tentando construir um cenário do que vai acontecer em seguida. Quando a resposta é mais rápida e prática, ou seja, encontramos um padrão, aceitamos mais tranquilamente.

 

A questão do padrão também é importante por que temos a capacidade de imaginar e preencher os espaços em branco, com as informações que não são explicitas, para que as coisas nos façam sentido. Certo ou errado, chamamos isso de inteligência lógica. Não é o que não sabemos que nos prejudica, mas o que temos certeza de que é verdade e de fato não é.

 

Como na história recente que me contaram ocorrer na Índia. Lá os tratadores e condutores de elefantes, conhecidos como “mahouts”, impedem que os filhotes se afastem acorrentando uma de suas patas a uma estaca firmemente fincada na terra. Por mais que tentem, os jovens elefantes não são fortes o bastante para quebrar os grilhões ou derrubá-los, e assim livrar-se da estaca. Pior ainda, o esforço machuca e causa dores. Com o tempo eles desistem. Já adultos, os elefantes são mantidos presos por uma fina corda, que tranquilamente se romperia, mas o seu limitado cérebro não é capaz de reconhecer a diferença entre o passado e presente, limitando suas alternativas de futuro.

 

A distração, a reação instantânea e os padrões desgastados são as prisões do nosso pensamento.

 

Molnar



- Postado por: Molnar às 13h07
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ICHM - RANKING

Link da matéria publicada ontem no site da Época Negocios.

 

 

http://epocanegocios.globo.com/Revista/Common/0,,EMI63213-16370,00-O+PODER+DA+MARCA+ALEM+DO+VALOR+FINANCEIRO.html

 

O Ranking com as 50 marcas com maiores conexões emocionais sairá até o final de março.

 

Molnar



- Postado por: Molnar às 08h03
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IMPORTANTE É ENTENDER O SER HUMANO

Quando eu era pequeno, e ficava com medo do escuro, de dormir sem uma luz acesa temendo fantasmas e os espíritos maus, costumava ouvir que devemos ter medo dos vivos e não dos mortos.

 

Essa linha de pensamento é a de Luc Ferry, filósofo francês nascido em 1951 e um dos principais defensores da visão de mundo que se contrapõe à religião. Seu compromisso com o uso da razão, crítica a fé na busca de respostas para as questões humanas mais importantes.

 

A corrente da filosofia que defende, propõe o uso da razão crítica na busca de respostas para os assuntos que mais intrigam a humanidade: as conexões humanas como o amor, o medo, a morte e a procura da felicidade.

 

Segundo Ferry, colocando importância na fé religiosa, para as questões que não controlamos, aumentamos as variáveis ocultas de nossa da nossa existência, pois nos inventam apenas desculpas que nos fazem para de pensar.

 

Ele defende a idéia de que a família é atualmente a única coisa que resta de sagrado no mundo, onde sagrado é tudo o que justifica nosso sacrifício. “A família é a entidade realmente sagrada na sociedade moderna, àquela pela qual todos nós, ocidentais, aceitaríamos morrer, se for preciso. Os únicos motivos pelos quais arriscaríamos a vida no mundo de hoje são aqueles próximos de nós: a família, os amigos e, em um número bem menor, pessoas mais distantes que nos causam grande comoção. No século XX, o ser humano virou sagrado” disse ele a revista VEJA em entrevista de outubro de 2008.

 

Infelizmente ainda hoje, em algumas regiões do mundo onde impera o terror, muitas religiões e ideologias fazem os indivíduos sacrificar-se por ideais inúteis. O sociólogo alemão Max Weber costumava dizer que era possível encontrar os valores tradicionais do sacrifício no “código do mar.” Segundo esse código, o comandante de um navio deve morrer com sua embarcação naufragada, mesmo quando os passageiros e a tripulação se salvam. Para continuar a metáfora, hoje ninguém com o mínimo de razão, deve estar disposto a morrer pelo casco do navio.

 

Concordo que a religiosidade é muito importante como uma religação do ser humano com a natureza, com Deus, com o universo, com o outro e consigo mesmo. Dizem que pessoas que têm ligação natural com o desconhecido viverão com maior abundância, maior amor ao próximo. Porém creio que a religião não deve ser apenas um exercício da repetição e da desculpa, ou pior ainda, da manipulação.

 

Entender os ser humano, isolado e em comunidade, é o grande desafio daqueles que se propõem a trabalhar em comunicação.

 

Molnar



- Postado por: Molnar às 08h04
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TEORIA DA MENTE

Estudos sobre a percepção do nojo mostram como nosso cérebro revive as emoções dos outros. Ao se confrontar com uma pessoa chorando, sabemos pela expressão da face, pela vocalização do choro e pela gesticulação corporal que ela está triste, para dizer o mínimo. Se nossa empatia com a pessoa for grande, vivenciaremos parte da mesma tristeza, e poderemos até chorar também.

 

Todos nós já vivenciamos situações como essa, sem avaliar muito bem o quanto essa capacidade de vivenciarmos os sentimentos dos outros e tentar adivinhar o pensamento de terceiros é importante para a vida cotidiana e uma característica essencial dos seres humanos.

 

Dos seres humanos sim, já que não sabemos muito bem se os outros primatas a possuem, como questionou o primatologista americano David Premack ao inaugurar os estudos empíricos sobre o assunto, em artigo famoso de 1978.

 

Os psicólogos e neurocientistas costumam chamá-la “teoria da mente”, porque essa capacidade nos possibilita inferir o que o outro sente e pensa, ou seja, criar uma teoria (mais corretamente, uma hipótese) sobre o que passa pela mente dos outros.

 

Isso permite que ajustemos nossas relações sociais, nossas interações com os outros, e escolhamos os comportamentos mais adequados a cada situação. Tentamos “adivinhar” qual é a do nosso interlocutor e agir de acordo com essa hipótese.

 

Os pesquisadores utilizaram atores para gerar pequenos clipes nos quais eles bebiam algo e depois criavam expressões neutras, de prazer ou de nojo. Os participantes do estudo, voluntários sem doenças neurológicas ou psiquiátricas, passavam por um estudo de ressonância magnética funcional logo após a visualização desses clipes, o que possibilitava identificar as regiões ativas durante a percepção do estado emocional dos atores e compará-las com o mapa da ativação cerebral verificada quando o sentimento de nojo ou prazer era do próprio sujeito, e não dos atores.

 

O estudo comprovou que nos dois casos a mesma região era ativada – o chamado córtex da ínsula – o que foi interpretado como evidência de que a nossa interpretação dos estados mentais de terceiros envolve uma “revivência” dos nossos próprios estados mentais. O cérebro ativa os mesmos circuitos, e isso nos possibilita criar uma hipótese sobre a mente do outro, baseada na nossa própria vivência mental.

 

Distúrbios ligados à percepção de nojo existem também em portadores de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo). A mesma região da ínsula é ativada, em situações que provocariam apenas nojo moderado, e na percepção dessa emoção expressa por terceiros. Não é por outra razão que o comportamento obsessivo de lavar as mãos é tão freqüente nesses indivíduos.

 

Os estudos dos neurocientistas envolvendo essa emoção bizarra (nojo) têm mostrado forte sugestão de que nosso cérebro de fato utiliza o padrão de ativação de cada momento para estabelecer hipóteses sobre a mente dos outros.

 

Se as regiões ativadas ao vermos uma pessoa chorando são as mesmas ativadas quando nós próprios choramos, é muito provável que essa pessoa esteja triste como ficamos nós quando choramos.

 

Mas o choro é explícito, fácil de interpretar. Difícil é identificar a sutileza dos sentimentos delicados e menos extremos, como o riso aberto do prazer e o choro desabrido da angústia e da tristeza.

 

Molnar



- Postado por: Molnar às 07h35
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COMPORTAMENTO HUMANO

Confúcio quatro séculos antes de Cristo afirmou: “A natureza dos homens é a mesma, são os seus hábitos que os separam”.

 

Dizem que os aspectos culturais pertencem há um povo, os costumes características da sociedade e os hábitos particularidades das pessoas. Dentro destes três universos existem comportamentos não lineares. Para atender as necessidades culturais mantemos os rituais, para os costumes incentivamos as tradições e para suportar nossos hábitos, pagamos pelos vícios.

 

Como profissionais de marketing estamos sempre tentando entender as necessidades dos indivíduos para oferecer melhores soluções. Criamos produtos, serviços, marcas e símbolos para ampliar, inibir, substituir e modificar seus hábitos, seus costumes e finalmente sua cultura. Chamamos isso de evolução.

 

Vejamos algumas diferenças culturais contemporâneas: O suicídio no Japão (harakiri) ainda é considerado ato de heroísmo e lealdade. A obesidade é sinal de virilidade entre os ciganos. A interdição da carne de vaca, demonstração de fé entre os indianos. Muitos islâmicos defendem que podem ter quantas mulheres possam sustentar. Existem homens bomba que crêem nas sete virgens que lhe esperam no paraíso. Todos tentando se conectar com suas crenças.

 

Os Deterministas geográficos consideram que as diferenças dos ambientes físicos condicionam a diversidade cultural. Desde a antiguidade, várias foram as tentativas de explicações sobre as diferenças de comportamento baseadas nas variações dos ambientes físicos. Como por exemplo, um filósofo francês afirmava que os povos do norte imbuídos da fleuma eram fiéis, leais, cruéis e sem interesse sexual, enquanto os do sul seriam maliciosos, engenhosos, orientados para ciência, inaptos às atividades políticas.

 

Existem aqueles que acreditam no determinismo biológico, onde teorias atribuem capacidades específicas inatas a determinadas “raças” ou a grupos humanos. Porém, sabe-se que diferenças genéticas não são determinantes para diferenças culturais. Afirma-se que qualquer criança humana normal pode ser educada em qualquer cultura se for colada desde o início em situação conveniente de aprendizado.

 

Teorias desenvolvidas por geógrafos no final do século XIX e início do XX, ganharam popularidade com a idéia de relação entre clima e a dinâmica do progresso. Povos em regiões costeiras evoluíram mais rapidamente devido a possibilidade de explorar o mar.

 

Mas as diferenças entre os homens não podem ser explicadas nem pelo aparato biológico, nem pelo meio ambiente. A espécie humana rompe suas próprias limitações, dominou a natureza e se transformou no mais temível dos predadores.

 

Difere dos outros animais porque a mente humana é dotada de uma capacidade ilimitada de obter conhecimento, na capacidade de simbolizar, multiplicar idéias, reter as idéias, comunicá-las e transmiti-las as outras gerações.

 

O comportamento é antes de tudo simbólico, chave para a participação do indivíduo no mundo. Homem não é apenas produtor da cultura, mas produto da cultura.

 

Molnar     



- Postado por: Molnar às 08h32
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Ficha Técnica

Nexialista.
Formado em química industrial pela Faculdade Oswaldo Cruz. Com pós-graduação em Marketing e Publicidade pela ESPM. Experiência profissional no desenvolvimento de novos produtos nas áreas de metalurgia, tintas e plásticos. Trabalhou 18 anos no mercado da Tecnologia da Informação nas áreas de vendas e marketing. Atua hoje como consultor Estratégico e Analista de Pesquisa de Mercado em vários segmentos.

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