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O EXÉRCITO DOS FONES DE OUVIDO

Ouvi em recente palestra sobre inovação, do Walter Longo, uma questão sobre a evolução da tecnologia (internet, telefonia celular, banda larga, etc.) e das redes sociais (twitter, orkut, msn, blogs, etc.), que está proporcionando a nova geração um aprofundamento e exclusivismo, que pode ser perigoso e vale uma reflexão.

Lembro-me dos comentários de meus pais e avós, que a reunião em torno da TV iria destruir a família, pois não aconteciam mais diálogos e conversar entre as pessoas. Todos ficavam juntos apenas para ver e ouvir a programação televisiva. Viveríamos a vida dos personagens das novelas e não as nossas...

Teses de que a TV iria acabar com o rádio, com o cinema, etc. Que não poderia estudar com a televisão ligada. O mesmo conceito que ouvi do meu pai quando usei pela primeira vez uma calculadora, e ele disse deveria evitar, pois esqueceria a tabuada, e não conseguiria fazer contas “de cabeça”. Nada disso aconteceu.

A questão levantada agora está na possibilidade de termos cada vez mais do mesmo. Chegamos a uma disponibilidade de informação, e possibilidades de acesso, que podemos passar todos os dias das nossas vidas, ouvindo, lendo, assistindo, falando e escrevendo apenas os temas que gostamos. Não somos mais obrigados a ter experiências com o tradicional, com o clássico, com o velho que para alguns poderia ser o novo...

Antigamente os filhos gostavam de música clássica muitas vezes porque os pais “obrigavam” a ouvir. Com o tempo adquiriam o prazer por esse estilo de música. Eu mesmo aprendi a ler jornal (grande, sujo, monocromático e desajeitado), por insistência e vendo o tempo e a importância deste hábito na vida profissional do meu pai. E tantas outras coisas que os mais velhos ensinavam aos mais novos...

Hoje em dia isso não acontece mais. Pelo menos em um grande número de casas e famílias, de onde sairão os jovens com maiores oportunidades de sucesso, e que estão transformando o nosso mundo. Em todos os quartos dos nossos filhos existem, computadores, TVs, celulares, i-pods, e os universais fones de ouvido. Cada um no seu mundo. E mesmo quando estamos juntos, é normal a cena em que estamos assistindo a TV e todos nós estamos com nossos notebooks no colo. Fisicamente todos juntos. Mentalmente cada um no seu universo.

Seguindo a linha da neuroplasticidade, a neurocientista Susan Greenfield da Universidade de Oxford, afirma que estamos desenvolvendo um cérebro atrofiado. A tecnologia e as redes sociais estão infantilizando adultos e crianças. Basta ver como muitos se comunicam nos msn, orkut e twitter. Cheios de risadas e carinhas, como se tudo fosse criativo e engraçado...

Segundo Susan, temos cérebros maleáveis desenvolvendo e utilizando conexões cerebrais todos os dias, e somos extremamente afetados pelo ambiente em que vivemos. O que nos fez sair das árvores, foi à capacidade de usarmos e desenvolvermos o córtex pré-frontal. Viver em um mundo em que a empatia, a narrativa e o significado são menos importantes, está mudando a forma que nós humanos pensamos.

Temos acesso imediato a quaisquer tipos de informações, sem a necessidade de uma estrutura conceitual que os ligue. Os dados não se tornam “conhecimentos” e “experienciais”. Vivemos a era da informação. Queremos quantidade e velocidade. Mas estamos esquecendo que precisamos de tempo para ligar os fatos e interpretá-los. O cérebro humano não é uma máquina de filtrar, mas, sim um processador que usa as informações que nos cercam para entender o mundo.

Estamos diante de mais um paradoxo do nosso tempo: Se cada vez mais podemos escolher o que gostamos (pessoas, músicas, filmes, informações, etc.) e consequentemente, por limitação do tempo, passamos cada vez menos conhecendo a diversidade, de que adianta tanta tecnologia e liberdade de opção?

Molnar



- Postado por: Marcelo Molnar às 09h30
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Ficha Técnica

Nexialista.
Formado em química industrial pela Faculdade Oswaldo Cruz. Com pós-graduação em Marketing e Publicidade pela ESPM. Experiência profissional no desenvolvimento de novos produtos nas áreas de metalurgia, tintas e plásticos. Trabalhou 18 anos no mercado da Tecnologia da Informação nas áreas de vendas e marketing. Atua hoje como consultor Estratégico e Analista de Pesquisa de Mercado em vários segmentos.

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